Comissão imobiliária em Portugal: o que o vendedor paga e quando
Quer vender casa em Lisboa e não sabe quanto fica a comissão imobiliária? Perceba o que inclui, quando é devida e como negociar antes de assinar o contrato.
Por Lucas Toledo · Revisto por Arnaldo Toledo (AMI 10786) · Sobre a equipa · Atualizado junho de 2026
Em Lisboa, a comissão imobiliária paga pelo vendedor situa-se habitualmente entre 3% e 5% do preço de venda, acrescida de IVA a 23%. Num apartamento de 300 000 €, isso representa entre 11 070 € e 18 450 € que saem directamente do valor recebido na escritura pública. A este custo somam-se o certificado energético, eventualmente o home staging e o IMI proporcional ao ano da venda. Saber exactamente o que está contratado, e quando a comissão passa a ser devida, é o que separa um vendedor preparado de uma surpresa no dia da escritura.
Para quem faz sentido vender casa agora?
Faz sentido para quem tem um horizonte de saída definido e não depende de vender para pagar uma nova compra no mesmo dia. O Índice de Preços da Habitação do INE mostra que os preços em Lisboa mantêm resistência, o que favorece o vendedor com paciência para esperar pela proposta certa.
O perfil com mais vantagem hoje em Lisboa: proprietário com imóvel valorizado há mais de cinco anos, sem crédito à habitação em aberto ou com amortização adiantada, e com plano para o capital (reinvestimento noutro imóvel ou activo financeiro). Bairros como as Avenidas Novas ou Alvalade continuam a atrair compradores com capacidade financeira acima da média.
O anti-fit é o vendedor pressionado pelo tempo (divórcio, herança em litígio, restrições de calendário) que assina um contrato de mediação em exclusividade a cinco por cento sem negociar e depois descobre que a comissão é devida mesmo que desista antes da escritura. Para estes casos, a conversa sobre o contrato de mediação tem de acontecer antes de qualquer visita.
Quanto custa?
| Parcela | Valor | Fonte |
|---|---|---|
| Comissão de mediação (3%) | 9 000 € sobre 300 000 € | Prática de mercado Lisboa · 2026 |
| Comissão de mediação (5%) | 15 000 € sobre 300 000 € | Prática de mercado Lisboa · 2026 |
| IVA sobre comissão (23%) | 2 070 € a 3 450 € sobre 300 000 € | AT — taxa geral de IVA · 2026 |
| Certificado energético | 150 € a 400 € | Prática de mercado · 2026 |
| Home staging (básico) | 500 € a 2 000 € | Prática de mercado Lisboa · 2026 |
| IMI proporcional (ano da venda) | variável | AT · 2026 Proporcional aos meses em que o imóvel ainda estava em nome do vendedor |
Apartamento T2 nas Avenidas Novas vendido por 300 000 €
Vendedor com contrato de mediação a 5% + IVA, certificado energético e home staging básico.
Cálculo: Comissão 15 000 € + IVA 3 450 € + certificado 250 € + home staging 800 € = custos totais ~19 500 €, ou 6,5% do preço de venda.
O que ninguém diz sobre o processo de venda
Na nossa experiência a acompanhar vendas em Lisboa, há quatro pontos onde os vendedores chegam à escritura sem estar preparados:
1. O agente tem incentivo para fechar, não para maximizar o preço. A diferença entre vender a 295 000 € e a 310 000 € representa 15 000 € para o vendedor e apenas 450 € de comissão adicional para a agência a 3%. O alinhamento de incentivos não é perfeito. Quem acompanha o mercado de Lisboa nota que propostas abaixo do pedido chegam acompanhadas de argumentos de urgência: "o comprador tem pré-aprovação a expirar esta semana".
2. A exclusividade pode custar caro se a agência não trabalhar o imóvel. Um contrato de exclusividade a 90 dias com uma agência pouco activa imobiliza o imóvel durante três meses. Negocie períodos mais curtos (30 a 45 dias) ou inclua cláusulas de revisão se o número de visitas não atingir um mínimo acordado.
3. O home staging em Portugal não é staging americano. Os portais mostram imóveis bem fotografados com mobiliário neutro, e o standard subiu. Um imóvel devoluto ou mobilado de forma datada nos bairros mais competitivos de Lisboa perde para um equivalente bem preparado, mesmo a preço ligeiramente superior. O custo do staging raramente supera 1% do preço; o custo de ficar parado no mercado é sempre maior.
4. A comissão pode ser devida mesmo que a venda não se concretize. Alguns contratos de mediação estabelecem que a comissão é devida quando o agente apresenta um comprador sério que faz uma proposta dentro das condições acordadas, mesmo que o vendedor recuse ou o negócio caia depois. Leia a cláusula de vencimento antes de assinar, não depois.
Como funciona a venda passo a passo, da listagem à escritura?
O processo de venda em Lisboa segue tipicamente esta sequência, e os atrasos concentram-se quase sempre na fase documental, antes de colocar o imóvel no mercado. Não existe tabela de comissão legalmente fixada em Portugal: o valor é negociável, e assinar sem negociar é a primeira perda do vendedor.
1. Reunir a documentação base. Caderneta predial, licença de utilização, certidão do registo predial, ficha técnica da habitação (para imóveis construídos após 2004). Sem estes documentos não há CPCV válido nem escritura pública.
2. Obter o certificado energético. Obrigatório por lei para qualquer anúncio público. Encomende-o a um perito qualificado; o processo demora habitualmente uma a duas semanas.
3. Avaliação e definição do preço. A avaliação bancária e os comparáveis em portais como o Idealista e o Imovirtual dão referências de mercado. Na nossa experiência, imóveis listados acima do valor de mercado em Lisboa ficam mais de 90 dias sem proposta, e um imóvel parado estigmatiza-se.
4. Contrato de mediação imobiliária. Define a comissão, o prazo de exclusividade e, ponto crítico, quando a comissão se torna devida. Leia a cláusula de vencimento com atenção antes de assinar.
5. Home staging e fotografia profissional. O investimento em staging básico e fotografia de qualidade reduz o tempo de mercado, sobretudo em zonas de alta procura como o Lumiar ou Alfama, onde os compradores comparam dezenas de anúncios em simultâneo.
6. Listagem nos portais e visitas. Idealista, Imovirtual e Casa Sapo são os canais principais. O tempo médio até proposta séria em Lisboa varia com o bairro e o estado do imóvel.
7. Negociação e CPCV. O contrato-promessa de compra e venda fixa o preço, o sinal e o prazo até à escritura. É onde a maior parte das vendas descarrila: CPCV mal redigido, prazo demasiado curto para o comprador obter financiamento, ou cláusulas de resolução ambíguas.
8. Escritura pública. Realiza-se em notário, com pagamento do preço, distrate do eventual crédito à habitação e transferência da propriedade. O vendedor recebe o remanescente do preço e paga a comissão à agência.
A comissão de mediação não é apenas um custo de saída. Nos termos do CIRS art. 10.º, as despesas de alienação, incluindo a comissão paga à agência, são dedutíveis na fórmula de cálculo das mais-valias, o que reduz a base tributável em IRS Categoria G. A maioria dos vendedores só faz esta conta depois de já ter assinado o contrato.
O vendedor pode vender abaixo do Valor Patrimonial Tributário?
Pode, mas com consequências fiscais. A Autoridade Tributária cruza automaticamente os dados da escritura com os registos de IRS e, quando o preço declarado é inferior ao VPT (Valor Patrimonial Tributário), considera o VPT como valor de realização para efeitos de mais-valias. Na prática, o vendedor arrisca ser tributado sobre um ganho que pode nem ter recebido.
Como se negoceia a comissão imobiliária?
A comissão não tem piso legal em Portugal. Na prática, em Lisboa, a negociação começa nos 5% e desce consoante o valor do imóvel, o tipo de exclusividade e o historial da agência no bairro. Para imóveis acima de 500 000 €, comissões de 3% a 3,5% são razoáveis e comuns. Para imóveis abaixo de 150 000 €, algumas agências recusam valores abaixo de 4%, por os montantes absolutos serem pouco atractivos.
O que vale a pena negociar além da percentagem: a duração da exclusividade, a definição de "comprador angariado" (para evitar comissão em vendas a familiar ou conhecido do vendedor), e os serviços incluídos. Fotografia profissional, planta 2D, tour virtual e home staging de entrada costumam estar incluídos nas agências premium; nas restantes, são extras.
O que acontece se o comprador desistir depois do CPCV?
Se o comprador desistir após a assinatura do contrato-promessa de compra e venda, perde o sinal entregue ao vendedor. Se for o vendedor a desistir, devolve o sinal em dobro, a regra geral do regime de sinal estabelecida no Código Civil português. Para o vendedor, o CPCV é a protecção mais concreta, porque até esse momento qualquer parte pode recuar com custos limitados.
A comissão imobiliária, neste cenário, depende do que ficou escrito no contrato de mediação. Se o contrato diz que a comissão é devida "na assinatura do CPCV", o vendedor paga a agência mesmo que a escritura nunca se realize. É a cláusula mais importante a negociar antes de assinar.
Fontes regulatórias citadas
- AT — Código do IRS CIRS, art. 10.º (Mais-valias) · vigente 2026
- INE — Estatísticas Índice de Preços da Habitação (IPHab) — trimestral · vigente 2026
Recursos relacionados
- Guia
Vender casa em Lisboa: guia completo
Hub pillar — todo o processo da avaliação à escritura.
- Guia
Mais-valias IRS na venda de imóvel
A comissão é dedutível na fórmula das mais-valias — artigo complementar obrigatório.
- Guia
Quanto custa comprar casa em Lisboa
Útil quando a venda financia uma nova compra.
- Ver também
Avenidas Novas
Um dos bairros com maior rotatividade de T2 e T3 em Lisboa — contexto de mercado para o vendedor.
Perguntas frequentes
Qual é a percentagem habitual de comissão imobiliária em Lisboa?
A comissão imobiliária inclui IVA?
Posso vender casa sem imobiliária e poupar a comissão?
Quando é que a comissão é devida ao agente?
O home staging é obrigatório e quem paga?
O CPCV é obrigatório na venda de uma casa?
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Arnaldo Toledo
Especialista em Lisboa · Century 21 Nações
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