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Comprar casa em planta em Lisboa: o processo, os custos e o que ninguém explica

Quer comprar casa em planta em Lisboa? Perceba os custos reais, o processo do CPCV à escritura e os riscos que os promotores não explicam. Exemplo: T2 em 2026.

Por Lucas Toledo · Revisto por Arnaldo Toledo (AMI 10786) · Sobre a equipa · Atualizado junho de 2026

Consultor imobiliário recebe um casal à entrada de uma casa nova, junto ao portão e ao jardim.
Foto: Kindel Media · Pexels License

Comprar casa em planta em Lisboa significa pagar hoje (sinal, reforços, imposto de selo) por um imóvel que só existe no papel e que demorará tipicamente 18 a 36 meses a ser entregue. Para um T2 a 420 000 €, os custos de transacção rondam 27 600 € (6,6% acima do preço), pagos na escritura, a que acresce a entrada mínima de 10%. É uma operação com horizonte longo e risco de construção embutido: quem percebe o processo faz escolhas diferentes de quem assina sem ler.

Para quem faz sentido comprar em planta agora?

Faz sentido para quem tem horizonte de 2 a 4 anos sem necessidade de mudar de casa, uma vez que a entrega é incerta por natureza e os atrasos de obra são a norma, não a excepção. Faz sentido também para quem consegue separar a entrada (10–20%) mais os custos de transacção (~6,5%) sem esvaziar a poupança de emergência, porque entre a reserva e a escritura há reforços de sinal agendados que consomem liquidez de forma progressiva.

Faz particular sentido para compradores que querem um imóvel novo sem os prémios dos imóveis já construídos: os preços em planta têm frequentemente uma margem de 5 a 10% face ao equivalente entregue, sobretudo nos lançamentos no Lumiar, na Avenida das Forças Armadas ou em zonas de reabilitação urbana. Faz sentido para quem aceita personalizar acabamentos durante a obra.

Não faz sentido para quem precisa de casa nos próximos 12 meses, para quem não tem capacidade de absorver um atraso de 6 a 12 meses sem prejuízo, nem para quem não leu o CPCV com atenção, porque é esse contrato que define o que acontece se o promotor falhar, se o banco não aprovar, ou se as especificações mudarem.

Quanto custa?

Parcela Valor Fonte
Preço do imóvel (exemplo T2 em planta) 420 000 € Exemplo ilustrativo — escritura · 2026
Sinal no CPCV (reserva inicial) 42 000 € (~10% do preço) Prática de mercado — Lisboa 2026 · 2026
IMT (HPP, escalões 2026) ~19 840 € (~4,7%) AT — CIMT, art. 17.º (Decreto-Lei n.º 287/2003) · 2026
Imposto de Selo (escritura) 3 360 € (0,8%) AT — CIS, art. 1.º + Tabela Geral, verba 1.1 · 2026
Imposto de Selo (crédito habitação) 2 016 € (0,6% sobre 336 000 € financiados) AT — CIS, Tabela Geral, verba 17.1 · 2026
Escritura + registos 1 300 € Cartório / Conservatória do Registo Predial · 2026
Avaliação bancária 400 € Banco mutuante · 2026
Seguros (vida + multirriscos, ano 1) 700 € Mediador / banco · 2026
Total custos adicionais ~27 616 € (~6,6% sobre preço)
Soma de IMT + IS escritura + IS crédito + escritura/registos + avaliação + seguros
Total a desembolsar ~447 616 €
Preço + custos — sem contar entrada (10–20%) e despesas de mudança
Exemplo Prático

T2 420 000 € em planta, Habitação Própria Permanente — Lisboa, 2026

Comprador residente fiscal em Portugal, primeira habitação, com crédito a 80% do preço (336 000 €). IMT no ramo HPP, taxa marginal e parcela a abater dos escalões aplicáveis em 2026.

Cálculo: IMT ~19 840 € + IS escritura 3 360 € + IS crédito 2 016 € + escritura/registos 1 300 € + avaliação 400 € + seguros 700 € = ~27 616 € em custos adicionais (~6,6% sobre preço). Total a desembolsar ≈ 447 616 € (preço + custos).

Casa em miniatura de madeira sobre um contrato, com molho de chaves ao lado.
Foto: Atlantic Ambience · Pexels License

O que ninguém diz sobre o processo de compra de casa em planta?

A equipa LisbonHomes observa que a maioria das frustrações em compras em planta não vêm do imóvel — vêm do contrato e dos prazos. Os pontos que raramente entram na conversa com o promotor:

1. O CPCV em planta é muito mais desequilibrado do que o de usado. No imóvel usado, negoceiam-se vendedor e comprador com o objecto à vista. Em planta, o promotor redige o contrato, tem o modelo-padrão, e a pressão de "já só temos 3 fracções" é uma técnica de vendas, não um facto verificável. Peça sempre o CPCV com 48h de antecedência para leitura tranquila, e leia o anexo de especificações técnicas com atenção ao que pode ser substituído "por material equivalente".

2. A aprovação do crédito pode caducar antes da obra terminar. Uma aprovação emitida hoje tem validade de 90 a 180 dias. Se a obra atrasar 12 meses, terá de reinstruir o processo, eventualmente em condições de Euribor ou de avaliação bancária diferentes. Alguns promotores aceitam incluir no CPCV uma cláusula de actualização de aprovação de crédito; peça-a.

3. Os atrasos de obra são normalizados e raramente penalizados. Na nossa experiência a acompanhar compradores em Lisboa, um atraso de 6 a 12 meses é frequente. Os contratos-padrão dos promotores prevêem penalizações simbólicas (0,05–0,1% por mês de atraso) ou simplesmente não as prevêem. Se depende da venda da sua casa actual para financiar a nova, o desfasamento pode obrigar a uma solução temporária de arrendamento, um custo que raramente entra no Excel inicial.

4. A avaliação bancária pode vir abaixo do preço contratualizado. O banco financia até 90% do mínimo entre preço e avaliação em HPP (limite do Banco de Portugal; 80% noutras finalidades). Em planta, a avaliação é feita sobre o projecto aprovado e o terreno, e pode divergir do preço de mercado praticado pelo promotor, especialmente em lançamentos com prémio de novidade. A diferença sai do seu bolso.

5. O Índice de Preços da Habitação do INE não captura o preço em planta em tempo real. O IPHab do INE regista transacções escrituradas, mas em planta a escritura ocorre 2 a 3 anos após o contrato. O preço que está a pagar hoje será "mercado" daqui a 2 anos, não hoje. Nos portais como Idealista ou Imovirtual, compare com imóveis equivalentes entregues, não em construção.

Perguntas frequentes

O CPCV de imóvel em planta tem de ser registado na Conservatória?

Não é obrigatório, mas é fortemente aconselhável. O registo do CPCV na Conservatória do Registo Predial garante a oponibilidade a terceiros: se o promotor entrar em insolvência ou vender o mesmo lote a outro comprador, o registo protege a sua posição. Custa cerca de 250 € e vale cada cêntimo.

Quanto tempo demora a comprar uma casa em planta em Portugal?

Entre a reserva e a escritura, tipicamente 18 a 36 meses: o prazo de construção é a variável dominante. Acrescem 4 a 6 semanas para aprovação do crédito habitação e agendamento da escritura após a conclusão da obra e emissão da licença de utilização.

Posso perder o sinal se o banco não aprovar o crédito?

Depende do que ficou escrito no CPCV. Se a condição suspensiva de aprovação de crédito não constar do contrato, o promotor pode reter o sinal (10–20% do preço). Antes de assinar, exija sempre uma cláusula resolutiva expressa ligada à obtenção de financiamento, com prazo definido.

O IMT paga-se quando assino o CPCV ou na escritura?

Na escritura, não no CPCV. O IMT é liquidado no dia da escritura pública, calculado sobre o maior valor entre o preço contratualizado e o Valor Patrimonial Tributário (VPT), conforme o CIMT regulado pelo Decreto-Lei n.º 287/2003. O Imposto de Selo (0,8%) é pago no mesmo momento.

O que é a licença de utilização e porque é indispensável?

A licença de utilização é o documento emitido pela câmara municipal que certifica que o edifício foi construído em conformidade com o projecto aprovado e está apto para habitação. Sem ela, a escritura não pode realizar-se e o banco não liberta o crédito. É o gatilho que desbloqueia toda a fase final do processo.

Posso negociar o preço de uma casa em planta?

Sim, mas a janela é mais curta do que em imóveis usados. Os promotores têm maior flexibilidade no arranque da comercialização (primeiros 20–30% das fracções) e perto do fim de obra, quando querem fechar as últimas unidades. No pico das vendas, a margem de negociação é mínima, especialmente em Lisboa, onde a procura absorve rapidamente os lançamentos.

Fontes regulatórias citadas

Recursos relacionados

Perguntas frequentes

O CPCV de imóvel em planta tem de ser registado na Conservatória?
Não é obrigatório, mas é fortemente aconselhável. O registo do CPCV na Conservatória do Registo Predial garante a oponibilidade a terceiros: se o promotor entrar em insolvência ou vender o mesmo lote a outro comprador, o registo protege a sua posição. Custa cerca de 250 € e vale cada cêntimo.
Quanto tempo demora a comprar uma casa em planta em Portugal?
Entre a reserva e a escritura, tipicamente 18 a 36 meses: o prazo de construção é a variável dominante. Acrescem 4 a 6 semanas para aprovação do crédito habitação e agendamento da escritura após a conclusão da obra e emissão da licença de utilização.
Posso perder o sinal se o banco não aprovar o crédito?
Depende do que ficou escrito no CPCV. Se a condição suspensiva de aprovação de crédito não constar do contrato, o promotor pode reter o sinal (10–20% do preço). Antes de assinar, exija sempre uma cláusula resolutiva expressa ligada à obtenção de financiamento, com prazo definido.
O IMT paga-se quando assino o CPCV ou na escritura?
Na escritura, não no CPCV. O IMT é liquidado no dia da escritura pública, calculado sobre o maior valor entre o preço contratualizado e o Valor Patrimonial Tributário (VPT), conforme o CIMT regulado pelo Decreto-Lei n.º 287/2003. O Imposto de Selo (0,8%) é pago no mesmo momento.
O que é a licença de utilização e porque é indispensável?
A licença de utilização (ou alvará de utilização) é o documento emitido pela câmara municipal que certifica que o edifício foi construído em conformidade com o projecto aprovado e que está apto para habitação. Sem ela, a escritura não pode realizar-se e o banco não liberta o crédito. É o gatilho que desbloqueia toda a fase final do processo.
Posso negociar o preço de uma casa em planta?
Sim, mas a janela é mais curta do que em imóveis usados. Os promotores têm maior flexibilidade no arranque da comercialização (primeiros 20–30% das fracções) e perto do fim de obra, quando querem fechar as últimas unidades. No pico das vendas, a margem de negociação é mínima, especialmente em Lisboa, onde a procura absorve rapidamente os lançamentos.

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Arnaldo Toledo

Arnaldo Toledo

Especialista em Lisboa · Century 21 Nações

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